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notícias na imprensa regional sobre o lançamento do livro:
'Livro com a
dimensão de um povo'
'uma esplêndida monografia'
'Chão Sobral em livro'
'A propósito do
livro de José Ramiro'
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histórias para a 3ª edição:
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livro editado pelo
Município de excertos:
imagens
'fotos da apresentação do livro
"imagens de Chão Sobral apresentação .pps
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Edição de João Gonçalves
c h a o s o b r a l @ y a h o o . c o m
2003-08 | c h a o s o b r a l . o r g
Sítio alojado em TugaNET.com
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Apresentação do Autor
Da esquerda para a direita: Isabel, José, Eduarda, Conceição, Casimira e Ilda (Foto de Irene do Couto, 2007).
Sou um fruto da serra, que nasceu em Chão Sobral em 1934. Meus pais, Serafim Moreira e Ester da Conceição, deram-me o nome de José Ramiro e cinco irmãs. Mandaram-me à escola do Vale de Maceira, mas só até à 3ª classe… Cresci e vivi na minha terra até ao serviço militar que cumpri na Amadora e Carregueira, onde fiz a 4ª classe. Trabalhei na agricultura e Serviços Florestais vários anos, dois na indústria têxtil em Coimbra e quatro em Lisboa, como porteiro do Colégio de Clenardo, (onde tirei muito pó à biblioteca!)
Ingressei na Guarda Florestal, o meu sonho de menino, sendo colocado em Malhada Chã – Piódão, onde estive quinze anos. Aí contactei com Miguel Torga, que ia àquelas paragens às perdizes e se abrigava na minha casa de guarda-florestal.
Casei com Maria da Anunciação, tivemos três filhas e um filho, e pelos seus estudos pedi transferência para a Mata do Choupal em Coimbra. Nesta estive nove anos e aí apanhei a paixão por árvores ornamentais. Passei para a sede dos Florestais de Coimbra, estando na central telefónica até me aposentar. Nesse período, faleceu-me a esposa com 49 anos e já morava em casa própria no Vale das Flores. Neste local dei largas à minha paixão, pois plantei no jardim da urbanização 200 árvores e arbustos ornamentais de oitenta espécies! Faltava-me só escrever um livro, sonho que não tinha. Na foto à direita: Serafim Moreira e José Ramiro
Angustiado com a falta da companheira e por um amor não correspondido, que guardava da juventude, comecei a escrever em versos histórias do meu Chão Sobral. Histórias que me encantavam por os locais e personagens me serem familiares. Este fascínio avivou-me a memória e criou-me o desejo de contar tudo. Os versos eram a maneira fácil de construir a história, mais que em prosa, mas a sua pobreza desgosta-me. Só me alegra deixar escrito tudo, o que sei e ouvi contar.
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Agradecimentos
Desejo expressar a minha gratidão aos que me contaram muito do que contém este livro;
Aos que me estimularam, apoiaram e corrigiram;
Aos que na rádio e imprensa divulgaram algumas histórias;
Em particular, aos que toleram factos aqui referidos que não tenha sabido purificar.
Para a edição deste livro cumpre-me agradecer: À União Progressiva de Chão Sobral, na pessoa do seu Presidente, meu sobrinho João Pedro Gonçalves, que vinha mostrando na Internet o meu trabalho e agora se propôs pedir, e coordenar o texto, para ser editado;
A todas as pessoas que gentilmente cederam as fotografias;
À Junta de Freguesia de Aldeia das Dez na pessoa da sua Presidente, D. Paula Frade, Grande Mãe, até nas letras!
À Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, da Presidência do Senhor Professor Mário Alves, o Amigo de Chão Sobral, e na pessoa do Senhor Vereador da Cultura, Professor José Carlos Mendes, nosso Bom Vizinho, que se dignaram mandar que se editasse este meu trabalho.
José Ramiro |
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| HISTÓRIAS | |
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O Zabumba Casais nossos vizinhos Do Colcurinho para Lourosa As primeiras batatas Origem da casa deste lado - no Colcurinho A grande sequeira A capela de São Lourenço Os Franceses e o Avelar Teresa Moreira do Avelar O Caca e o Caeiros A ceifa No Tribunal de Penalva A Fé da gente da Vide Milagre de São Sebastião - em Alvôco O Coimeiro O grande habilidoso O primeiro fogo O lençol de sinal Primeiro papagaio de papel Os Velhos do Colcurinho: O caçador de lobos - I O caçador de lobos -II III - O bom lavrador IV - O queijo fresco V - A azeitona VI - Os quadros VII - E o vento VIII - Quatro cinco talhadas IX - As cigarrilhas X - As armas dos Varões assinalados O último Bufo Real As cucas Mentiras de mãe O pau da Missa O diabo feito cabra Sete currais de cabras Aquele diabo do Zé Trindade A mulher que foi ao pipo A greve das andorinhas Ditos de Saber Antigo A primeira obra pública O pastor que fazia parar O "Tafula" Os cruzeiros partidos Bruxas As melancias O crucifixo pelo chão A Guerra do Carvoeiros: I - Zé Moreira na cadeia II - A nossa Maria da Fonte III - Os figos IV - O único tiro V - Senhora das Preces, se escapar! VI - O fim - E uma avaliação nova Ladrão duas vezes inocente Dois rapazes em Lisboa |
As "Almas" A pneumónica A licença do porco Uma lição para sempre O último lobo O jogador do pau Tradições do meu Chão: Fogueiras de São João A fogueira do Natal Da nossa cozinha: O bucho Os coscoréis Os últimos romeiros a pé O primeiro automóvel O último campo de linho A floresta O fardadito O último rebanho Os Homens de quem se fala: O Ti Zé Mendes Caetano O Ti Manel Alves O Ti Abel O Ti Manel Fontes do Tapado O Ti António Miguel Como chamavam o gado O último carvoeiro Minha primeira tiborna Valores do traje antigo - o gabão Jogos Tradicionais - a chona Os últimos pobres de pedir Ouro! A estrada: I - Velhos caminhos II - Meu povo em cordão III - Primeiros carros O lagar velho do meu Chão Nomes de fragas Os últimos moradores Castas de Castanheiros Museu do Colcurinho A Escola As Fontes A Procissão A nódoa em Vale de Maceira Os Baldios A Electricidade A Senhora Laura Letra de cantares antigos Uma parcela do meu Chão O muro No miradouro do Santo A Via e a Regueifa Inscrição HISTÓRIA e tradição |
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ORIGEM DO NOME CHÃO SOBRAL
Primeiras Casas e Moradores
Vou falar de guerras velhas, Dos Santos e do Diabo; Mas nesta falo do homem Que veio do Sobral Magro.
Morava no Colcurinho, Cá, única povoação. Perto num campo vizinho, Tinha o homem um chão.
Ganha alcunha entretanto. Ele não levava a mal! Diziam que o seu campo Era o chão do Sobral.
Minha terra ia nascer. O homem faz lá juntinho A casa para viver, E deixou o Colcurinho.
Encostam outras a ela, Todas iguais à primeira, Com postigo e janela, No lascado a trapeira. (1)
E loja, curral de gado. Igual a casa do rico, Com cabras, bois e criado! Sete potes e um penico!
Tinha oito moradores, Quando D. João III Mandou recenseadores Contar o país inteiro. (2)
No registo de então Ficou Casa do Sobral, Esta nova povoação, (3) Entre o chão e o vale.
Com gente a aumentar, No chão do Sobral, ao pé, Fazem casas para morar, E hoje, Chão Sobral é!
Foi concelho de Penalva. (4) Isso não deu simpatia, Por ser concelho de Avô, A sede da freguesia. (5)
Não faz pessoas amadas O pisar outros caminhos. Mas essas águas passadas Não fazem moer moinhos!...
(1) Lascado - cobertura da casa em lousa. Trapeira - óculo numa lousa para dar luz à cozinha. (2) A contagem foi em 1527. (3) Era à ladeira do Porto. (4) Concelho de Penalva do Alva, foi integrado em 1853 no de Sandomil, e em 1855 no de Oliveira do Hospital. (5) A freguesia de Aldeia das Dez, criada em 1543.
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MILAGRE DE SÃO SEBASTIÃO
Em Alvôco das Várzeas
Eram um jardim, em Alvôco, As várzeas e os quintais! Vem nuvem de gafanhotos (1) E poisou nos milheirais!
Toca o sino a rebate, Sai a população inteira. Não ficou o alfaiate, Nem ficou a tecedeira!
Sem os venenos de agora, Vão com ramos a enxotar. A praga não ia embora, Só a faziam mudar.
Com o milho a ser roído, E de ver ficar só veios, O povo ficou perdido... Já previa tempos feios.
E já em grande aflição, Vem a esperança que resta: Evocar São Sebastião, E prometer-lhe uma festa.
Põem dois mastros de pinho A apontar a sua esperança; Em cada topo, um arquinho, (2) A propor ao Céu aliança.
São Sebastião aceitou O contrato, sem desafio. Logo a praga levantou E foi afogar-se no rio!
Ó milagre sem igual! Já nem a água se via! Também alegrou Chão Sobral, E a festa, foi romaria.
(1) Em 1851 houve pragas no país. (2) Com fitas de cores.
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A CASA ANTIGA DO MEU CHÃO
Casa quadrada, em pedra, Com pé direito baixinho. O quarto canto redondo, (1) A facilitar um caminho.
Duas águas no lascado; Mas com empena suave. Na frente, janela ao lado, Fora do peso da trave.
Simples e curto beirado; Umas pedras a calcar. Dois craveiros à janela, Dos lados a enfeitar.
Dos lados, num é a porta. Cabem pessoas baixinhas. É debaixo da escada O poleiro das galinhas.
Sobre a porta com postigo, (2) Lascado de cobertura. Pesa quase meio quilo, A chave da fechadura:
Porta da loja, ao canto. Padieira de madeira. Dentro, pipos e a arca, A dorna e salgadeira.
Atrás, pátio e curral. É o das cabras, por certo! O canto de cheirar mal, E o forno num coberto.
A loja com a quintã, Não a convém destrancar. Tem, com licença, o porco, Pode ir pisar o linhar!
É casa de boa gente, Ninguém se faça rogado. O dono diz: Entre!... E entramos no sobrado.
Duas paredes caiadas, Uma tem uma copeira. (3) Mas dois lados da sala, São divisão em madeira.
E tem pintado em azul, Num que dentro é caiado, Um pote com alcachofras, Quase a encher esse lado. (4)
É sem vidros a janela. Portinhas tapam o vento. De cada lado do vão, Um poialzito de assento.
Uma mesa rectangular. Cadeiras, uma pobreza. O banco para se sentar, Do comprimento da mesa.
No lavatório ao canto, Jarro, toalha e bacia. Forro, barrotes à vista. No sótão, só velharia.
Portas a dar para a sala, Dois quartitos apertados. Só ao tamanho da cama, Escuritos, mas forrados.
Vamos entrar na cozinha! A luz vem da trapeira. (5) Cuidado com o degrau, Que é funda, a lareira!
Ela não tem chaminé, Está tudo defumado. Ali, o canto da lenha, Panelas, do outro lado.
A panela nas cadeias, (6) Penduradas no caniço. (7) Nele secam as castanhas, Por baixo, o bom chouriço.
Enterrada na parede, Uma panela de copeira. Para meter os novelos, Ao serão, a fiandeira.
Cântaro na cantareira. Pratos para se comer. Engonçada na parede, Esta mesa de descer... (8)
Os sinais de casa farta Vejam-nos nesta salinha. São os potes e a arca, E o cortiço da farinha.
Dentro da tampa da arca, Os sinais das alegrias! Toda colada de imagens, Dos santos das romarias!
Fica para a outra vez, Tudo mais que me recorda. A candeia de azeite, E o podão e a corda.
(1) Havia muitas assim. (2) E o buraco do gato. (3) Cavidade na parede a servir de prateleira. (4) Vi na casa do Ti’ Albano e vestígios noutra. (5) Óculo numa lousa. (6) Cadeado de ferro. (7) Um forro em ripas. (8) Só com uma perna.
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O SANTITO
Passava para o Parente, A mandar fazer os tamancos, Certo homem da Barroja, (1) Que não era nada de Santos…
Se era ou não, tanto faz. Passava é revoltado. Lá com a festa do São Braz, Ficava o milho esmagado.
Eram lá os diabretes, Da miudagem que corria Atrás das canas dos foguetes. Então o homem dizia:
Eles esmagam o milho! Eles partem botelhas! (2) E não há lá um pai, Que lhes puxe as orelhas!
Eu já disse, e digo agora: Se Deus ou Diabo, não vê tal sarilho, Se não tira o Santito de lá p’ra fora, Não fica lá uma cana de milho!!
(1) Barroja – Pomares. (2) Abóboras.
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O BOM SAMARITANO
Contado Por Minha Mãe
Minha mãe vinha de Aldeia, E calhou a vir com ela O Moreira do Avelar, Que chamavam o Tadela. | |